O caminho-de-ferro contribuiu indubitavelmente para o progresso da Pampilhosa. A construção da linha da Beira Alta – Figueira da Foz / Vilar Formoso – com o entroncamento ferroviário em Pampilhosa, permitiu um surto de desenvolvimento de grande importância. Foram as fábricas de cerâmica e outras indústrias e armazéns que se instalaram nas proximidades do caminho-de-ferro. Foi a fixação de pessoas que vindas de outras terras, por aqui ficaram. E nesse aspeto, as gentes de Pampilhosa souberam ser acolhedoras. A comunidade soube abrir-se e aceitar todos aqueles que, por bem, se integravam plenamente. A prová-lo são os exemplos numerosos e flagrantes dados por aqueles que, vindos de fora, independentemente de aqui ficarem ou não, muito de si deram a esta terra. Ainda hoje se pode testemunhar as muitas, e diversificadas origens das atuais famílias Pampilhosenses. Praticamente de todo o pais, com mais incidência dos lugares próximos, da região serrana do Bussaco e do Baixo Mondego.
Os industriais vieram em busca da matéria-prima: barro, pez e madeiras principalmente. Os ferroviários, esses, conscientes que constituíam “um bom partido” com o seu razoável ordenado certo, por cá tentaram a sorte com as moças da terra.
A Pampilhosa era terra importante nesse tempo e as suas gentes eram tidas com muito respeito.
Talvez logo pelos começos da linha da Beira Alta, foi colocado na estação de Pampilhosa um senhor de nome Lúcio de Oliveira e Silva, que seria o chefe da estação. A ele se deverá o aparecimento do edifício do teatro na Pampilhosa, pois dele partiu a ideia da sua construção.
Joaquim da Cruz escreveu no jornal “A Defesa” de 1 de junho de 1924: «(...)Lúcio de Oliveira e Silva, a alma mater do edifício que aí está e a quem se deve a ideia da sua edificação, merece que a sua fotografia enfileire ao lado das que se encontram no salão, não só como dever de gratidão mas também como homenagem de artista e de carácter... A ideia partiu dele, nasceu dos improvisados teatros da cocheira das carruagens do caminho-de-ferro e da casa dos Vilanovas (...)» Esta transcrição comprova que, mesmo antes da construção do teatro, já essa arte era aqui representada. (1)
A confirmar a ligação ao meio ferroviário está a formação da Associação "Grémio de Instrução e Recreio", a 5 de de abril de 1906, no escritório do chefe da estação dos Caminhos de Ferro da Beira Alta, realizada pelo notário público Francisco Seabra de Vasconcellos, que se deslocou a pé, da Mealhada, para realizar a escritura desta associação. Nos primeiros anos de vida, o teatro sempre esteve presente com várias representações de grupos amadores. O Grupo Dramático de Beneficência, criado nos anos de 1920, marcou um grande ciclo de representações, das quais se pode destacar a peça "O Poço do Bispo". Entre os anos de 1960 e 1974, o Grupo Cénico da Liga dos Amigos da Pampilhosa levou à cena peças como "A Bruxa" , "João Ratão" , "Casa de Pais", etc. Para além dos grupos de teatro amador da Pampilhosa e da sua região, muitas outras companhias de grupos profissionais nacionais tiveram as suas representações no teatro da Pampilhosa. A Pampilhosa era, na altura, um grande centro ferroviário, onde se cruzavam, e cruzam ainda, a linha do Norte e a linha da Beira Alta, com uma ligação que ia até à Figueira da Foz. Muitas companhias de teatro nacionais, nas suas representações fora das grandes cidades, passavam pela Pampilhosa e nela tinham de pernoitar, aguardando as ligações dos comboios para os seus destinos. Esta situação favoreceu, e porque havia um teatro nesta localidade, a representação de inúmeras peças de teatro, que atraía a população de toda a região bairradina. Durante largas dezenas de anos, na Pampilhosa, se representou teatro do melhor que se produzia no nosso país. São memórias que não devemos esquecer. Voltar a dar vida cultural a este cineteatro é algo de urgente e necessário.
Depois do teatro, o cinema chegou à Pampilhosa em 1924, com a criação da Empresa Cinematográfica Pampilhosense. Era necessário energia elétrica, a qual foi fornecida pela fábrica de Cerâmica Mourão, Teixeira Lopes & Cia. Nos primeiros tempos, por dificuldades técnicas, as exibições não foram da melhor qualidade, o que deu origem a prejuízos financeiros. Esta situação viria a ser resolvida em 1925 com a aquisição de novos equipamentos e a exibição do filme "O aviso na Porta" marca uma nova etapa do verdadeiro cinema. (2)
O processo de reabilitação do edifício mantém-se no ano de 2021, à data deste texto.
(1) in http://freguesiadepampilhosa.blogspot.com/p/patrimonio.html
(2) in https://cinemapampilhosa.blogs.sapo.pt/tag/a+hist%C3%B3ria+do+cine-teatro
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