Junta de Freguesia de Pampilhosa Junta de Freguesia de Pampilhosa

O Edifício da «Casa dos Pobres»

O Edifício da «Casa dos Pobres»

Em 1939 foi criada uma “Comissão de Assistência aos Pobres da Freguesia da Pampilhosa” para “acabar, dentro do possível, com esta miséria, facultando aos pobres desta freguesia o pão que até agora têm andado esmolando pelas portas.”
Uma circular, datada de dezembro de 1938, expunha assim o problema:

«Em Pampilhosa, centro industrial e comercial cada vez maior, há também muitos quadros de miséria. Veem-se todos os dias crianças famintas estendendo a mão à caridade pública; velhos arrastando as pernas trôpegas em busca de um pedaço de pão para matar a fome; desgraçados a quem a doença não permite ganhar o sustento para cada dia.
A presente comissão, ferida com o triste espetáculo que a pobreza quotidianamente apresenta, entende que é tempo de acabar, dentro do possível, com esta miséria, facultando aos pobres desta freguesia o pão que até agora tem andado esmolando pelas portas.
Entendemos, em suma, que dando esmolas separadamente, a cada pobre que nos bate à porta, continua a mendicidade em escala cada vez maior. Se juntarmos todas as esmolas numa administração cuidadosa, fazendo depois a sua regular distribuição, talvez se possa amenizar mais a desgraça dos mendigos e, sobretudo, evitar o cortejo de infelizes que nos é dado a observar constantemente pelas ruas. 
Na Pampilhosa, e na freguesia, as pessoas que podem dar esmolas são suficientes para sustentar, por forma razoável, os pobres que lhe dizem respeito. Um novo encargo? Não. Basta que cada chefe de família faça um cálculo de quanto dá de esmolas em cada mês e que junte essa importância para dar à Comissão de Assistência.
Deixarão os chefes de família de dar esmolas em suas casas, e os mendigos passam a dirigir-se àquela comissão. É uma obra de grande alcance social, onde os remediados têm ocasião de amenizar o sofrimento dos infelizes. (...)
Pelo que nos diz respeito, contamos que essa boa vontade exista em todas as pessoas a quem nos vamos dirigir e que, assim, todos os homens de boa vontade nos ajudem no cumprimento do mais sagrado dever de consciência: - dar de comer a quem tem fome.
Pampilhosa, dezembro de 1938 
A comissão organizadora: Francisco Bastos Mourão, Joaquim da Cruz, Firmino Brito da Costa, José Augusto da Silva, Luciano José de Almeida, Rogério Gaspar Rezende» (1)


Esta comissão inicia o seu trabalho a 1 de janeiro de 1939, ano em que constrói a “Casa dos Pobres”. Do relatório das atividades do primeiro ano consta:

«Graças à dedicação de alguns industriais e particulares, e ao seu nunca desmentido espírito benevolente, conseguimos fazer a construção dum edifício próprio para os necessitados irem receber alimento. 
Este edifício, cuja fotografia se publica na capa deste relatório, tem as condições necessárias ao fim em vista: cozinha, forno, sala para refeitório, um pequeno pátio com coberto para lenhas e, ao lado, um recanto que se pode ajardinar.
A despesa feita por nós, neste edifício - Esc. 1.070$35 -, é verdadeiramente insignificante se a compararmos com o valor da obra e com as ofertas dos industriais, pois é a estes, sobretudo, que se fica devendo tão importante melhoramento.
Esta dedicação dos industriais encontrou ampla boa vontade na Junta de Freguesia da nossa terra, que cedeu o terreno necessário para a construção, conforme sua ata de 5 de fevereiro de 1939, que passamos a transcrever: 
‘Aos 5 dias do mês de fevereiro de 1939, nesta sala das sessões da Junta de Freguesia de Pampilhosa, concelho da Mealhada, encontrando-se todos os vogais afectivos, constituiu-se a mesa em sessão ordinária. Aberta a sessão, foi em primeiro lugar lida a ata anterior que foi aprovada. Nesta sessão resolveu-se, além de outros assuntos:
1 - Ceder à Comissão de Assistência aos Pobres da Freguesia de Pampilhosa (...) o terreno necessário para a construção de um edifício, no sítio da Feira, com a condição de ficar sempre pertença da mesma Comissão de Assistência, composta pelos atuais diretores ou por outros que os substituam regularmente;
2 - No caso de se dissolver a dita Comissão de Assistência, o edifício entrará na posse da Junta de Freguesia, que o destinará a fins de utilidade para a Freguesia de Pampilhosa, dando em todo caso preferência a instituições de beneficência. (...)’
O valor da casa está calculado em 10.905$85, pelo custo dos materiais e da mão-de-obra, verbas que foram oferecidas mas a que damos um valor para ver a sua importância aproximada.
Antes de construirmos o edifício estivemos com o refeitório nos prédios da Ex.ma D. Camila Albuquerque de Sousa e do Sr. Manuel Simões Miranda, que nos fizeram a cedência gratuita pelo tempo necessário, cumprindo-nos registar aqui os nossos agradecimentos pelas facilidades concedidas e pelo espírito de benemerência com que acederam ao nosso apelo, evitando que tivéssemos de pagar renda.» (1)


Passado alguns anos, e com a evolução dos tempos, a “Comissão de Assistência aos Pobres” deixa de fazer sentido, encerrando a sua atividade. O edifício foi, portanto, entregue à Junta de Freguesia, tendo sido depois a sede da Biblioteca fixa n.º 52 da Fundação Calouste Gulbenkian.
Dado o seu estado avançado de degradação, o edifício acabou por ser demolido, dando espaço ao entroncamento aí existente, entre as Ruas da Feira, dos Bombeiros e da Igreja.

(1) in Rezende, Rogério Gaspar - “O Sinal das Três Horas”. Coimbra: Ed. Autor, 1963.

Galeria: Ver Aqui


  • Morada:
  • Contacto:

© 2026 Junta de Freguesia de Pampilhosa. Todos os direitos reservados | Termos e Condições

  • Desenvolvido por:
  • GESAutarquia