Existindo na então aldeia da Pampilhosa uma Escola Primária, cujo edifício existe ainda hoje na Rua da Filarmónica Pampilhosense, perto do Largo do Freixo, a expansão da localidade, com o advento do Caminho-de-Ferro, fez surgir a necessidade da construção de outra escola, no então recém-formado Bairro do "Entroncamento". Assim, no dia 10 de abril de 1911 foi constituída uma comissão composta pelo Dr. Francisco Cruz, Feliciano Rocha, Abel Godinho, João Clímaco, Joaquim Oliveira Soares, Joaquim José de Melo e Domingos Rodrigues da Silva a fim de levar a cabo a construção de um edifício escolar.
No dia 20 de abril de 1911 o jornal "Madrugada" publica a primeira listagem de donativos para a "Escola Democrática da Pampilhosa", num total de 92$750 (noventa e dois mil e setecentos e cinquenta réis). Segundo documentos consultados, propriedade da Escola, as obras terão começado em 1910, por subscrição pública, quando se construíram as paredes e o telhado. Nos anos seguintes a obra esteve parada, sem que sejam detetados motivos. Apenas em 1922, Joaquim da Cruz, então também membro da comissão, custeou toda a restante obra, cuja conclusão decorreu no ano seguinte, realizando-se então uma imponente inauguração, no dia 12 de março de 1923. (1)
O jornal "Bairrada Elegante", na sua edição n.º 141 de 15 de março de 1923, descreve assim o acontecimento: «Com grande solenidade, inaugurou-se no último domingo na Pampilhosa (entroncamento) a casa de escola, cujo edifício foi oferecido pelo acreditado industrial e digno vereador municipal Sr. Joaquim da Cruz e que lhe deu o nome de seu pai Thomaz da Cruz, cujo retrato foi inaugurado na Escola. A assistência era grande, vendo-se representada a Câmara Municipal mealhadense, as escolas do concelho e as autoridades. Depois d'um cortejo imponentíssimo em que tomaram parte as associações locais, a Filarmónica de Vila Nova d'Anços e a da Pampilhosa, e que percorreu a povoação e onde se incorporaram dois lindos carros triunfais, um dedicado às escolas e [outro] em homenagem a Joaquim da Cruz, realizou-se a inauguração e posse dos professores Senhora D. Camila Albuquerque e Sousa e Firmino Brito da Costa. À inauguração tomou a presidência o Sr. Dr. Amaral Pereira, Digníssimo Juiz de Direito da Comarca de Anadia, que convidou para secretariá-lo os Senhores Augusto Cerveira de Mello, Dr. Francisco Lebre, José Duarte de Figueiredo e Guilherme Ferreira da Silva. Discursaram os Senhores Amaral, Dr. Camilo Albuquerque, Dr. Branquinho Pereira, Padre José Botelho, Augusto C. de Mello, ator Tristão, Firmino da Costa, Joaquim da Cruz e algumas crianças da escola. Durante o trajeto do cortejo da Pampilhosa à Escola no Entroncamento, foram lançadas muitas flores por gentis damas, ao carro-escola e ao Sr. Joaquim da Cruz. Viva Joaquim da Cruz! O dia 11 de março de 1923 deve ser o dia da sua maior alegria.»
Joaquim da Cruz, com a entrega do edifício à Câmara Municipal de Mealhada, deixou claro que o mesmo deveria ser dedicado para todo o sempre à educação e formação. Assim, desde 2010, ano em que foi inaugurado o novo Centro Escolar, o edifício da Escola Tomaz da Cruz (que foi também Escola Primária do Entroncamento e, finalmente, Escola do Primeiro Ciclo do Ensino Básico n.º 2 da Pampilhosa) tem sido utilizado por Associações com base na formação, como é o caso da Universidade Sénior da Associação Cades, que tem ali um dos seus polos.
Situa-se na Rua Firmino Brito Costa, o primeiro professor a lecionar no estabelecimento, também conhecida por "Rua da Escola". A sua última designação oficial era Escola do Primeiro Ciclo do Ensino Básico n.º 2 da Pampilhosa (sendo a n.º 1 a Escola Primária "do Freixo").
(1) in Godinho, Alice Correia - "A Fundação da Escola Thomaz da Cruz da Pampilhosa e o Centenário da República". Mealhada: CMM, 2010.
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