Santa Marinha - Padroeira da Pampilhosa

A Padroeira da Vila de Pampilhosa é Santa Marinha, venerada a 18 de julho.

Santa Marinha nasceu na cidade de Braga, no ano de 120 da era cristã. Era filha de Lúcio Caio Atílio Severo, régulo duma província em que, nessa altura, estava dividido o Império Romano e de D. Cálcia Lúcia, ambos de famílias muito ilustres.
Cálcia gerou nove meninas todas do mesmo parto. E quando o seu marido estava ausente a acompanhar o Imperador Adriano, deu à luz as nove meninas. Dominada pela superstição, e para se livrar das sátiras do mundo e da natural indignação do seu marido, verdadeiramente desgostada, Cálcia resolveu mandar afogar as meninas todas. Comunicou a resolução à única pessoa que lhe tinha assistido ao parto. Essa pessoa, chamada Cita, era cristã. Obrigando-a ao mais rigoroso segredo, mandou-a divulgar que afinal tinha sido infeliz no parto e que aproveitasse o escuro da noite, para lançar as nove meninas num dos poços do Rio Este, que corria nos arredores de Braga. Mas o coração bondoso de Cita, encontrou maneira de salvar as crianças. Resolveu levar as meninas a Santo Ovídio, Arcebispo de Braga, que as batizou. Depois a generosa Cita, procurou nos arredores de Braga, amas cristãs, para criarem e educarem na fé cristã, as nove meninas.
Mais tarde, quando tiveram conhecimento do que se tinha passado com elas, estas santas irmãs resolveram habitar juntas, como se num convento, para assim melhor poderem servir a Deus. Assim viveram durante alguns anos nos arrabaldes da cidade de Braga, numa vida totalmente dedicada a Jesus Cristo.
Levantou-se então uma cruel e terrível perseguição, para tentar acabar duma vez por todas, com a doutrina cristã. Em Braga e em todas as terras do Império Romano, a pena de morte seria do castigo para quem não quisesse adorar ídolos. O Régulo, pai das meninas, logo mandou publicar este Decreto do Imperador de Roma. Quem não cumprisse, seria levado à sua presença, para lhe serem aplicados os respectivos castigos. Os “ministros da justiça”, também foram a casa das nove irmãs; vendo que elas eram cristãs, levaram-nas presas à presença do Régulo, que não as conhecia por suas filhas. Logo ficou deveras impressionado com a atitude daquelas jovens. Fez-lhes várias perguntas e sobretudo se estavam resolvidas a cumprir o que o Imperador mandava: adorar os ídolos do Império. Genebra, a irmã mais velha, respondeu por todas: “A nossa pátria é a cidade de Braga. Se quereis saber a nossa descendência, podeis acreditar que nas nossas veias circula sangue da mais alta nobreza desta província, pois que todas nós somos tuas filhas e filhas de Cálcia tua esposa... Quanto à nossa religião, fica sabendo que todas adoramos Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, com Quem estamos desposadas pelo Batismo; e todas nós estamos resolvidas a darmos o nosso sangue confessando o Seu nome, mesmo à custa dos maiores castigos.”.
Contou ao pai tudo o que se tinha passado com elas e disse-lhe: “Aqui estamos na tua presença; dispõe de nós como melhor te parecer”. Logo que foram reconhecidas por filhas, tanto o pai como a mãe, tudo fizeram para as persuadir a adorarem os ídolos. Mas as nove meninas, com uma firmeza inabalável, desprezaram todas as promessas, permanecendo firmes na sua fé. Ficaram presas no próprio palácio do pai. Resolveram fugir, separando-se, cada uma seguindo a sua direção. Marinha foi para a Galiza. Lá trabalhou na lavoura perto da cidade de Orense, até que foi descoberta que era Cristã. Foi muito perseguida e maltratada, mas tudo suportou: açoites, carnes golpeadas com pentes de ferro; as costas e os peitos queimados com ferros em brasa; metida numa fornalha em chamas. Foi então degolada em Águas Santas perto de Orense, onde mais tarde o Rei D. Afonso, o Magno, mandou construir uma Igreja dedicada ao seu culto.

in Editorial do jornal "A voz da Paróquia" de Julho de 2006 - Padre Virgílio Francisco Gomes

São Lourenço - Padroeiro do Canedo

O Padroeiro do lugar do Canedo é São Lourenço, venerado a 10 de agosto.

São Lourenço, também conhecido como Lourenço de Huesta ou de Valência, é um santo espanhol. Nasceu em 225, da Era de Cristo, e morreu martirizado em 258, no dia 10 de agosto, em Roma. Está entre os diáconos do início da Igreja de Roma. Estes diáconos eram considerados os guardiões dos bens da Igreja e concessores de ajuda aos pobres. O nome Lourenço é o mesmo que Laureamtenens, que significa Coroa feita de Louro, como os vencedores recebiam após as suas vitórias. Lourenço obteve a vitória na sua paixão. São Lourenço foi ajudante do Papa Sisto II e responsável por um centro dedicado aos pobres.
No livro dos Atos dos Apóstolos, no capítulo 6, vemos a preocupação dos mesmos quanto ao crescimento do número dos discípulos. Convocaram uma reunião e expuseram as suas angústias, dizendo: «Não é razoável que abandonemos a palavra de Deus para administrar (servir as mesas), pois muitos dos discípulos gregos queixavam-se que as suas viúvas estavam sendo esquecidas e negligenciadas pelos hebreus.»
Foram escolhidos entre os irmãos, homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para administrar o cuidado com os pobres, órfãos e viúvas, ou seja, o tesouro precioso do Senhor. Estes homens foram chamados de Diáconos. São Lourenço era um deles.
Em 257, os cristãos começaram a ser perseguidos e mortos por ordem do imperador Valeriano I. O Papa Sisto II foi decapitado no ano seguinte. Conta a história que, ao caminhar junto do Papa, que se dirigia para o lugar da execução, Lourenço disse-lhe: «Aonde vai sem o seu diácono, meu pai? Jamais oferecestes o sacrifício da missa, sem que eu vos acolitasse (ajudasse)!» O papa, comovido com estas palavras de dedicação filial, respondeu: «Não te abandono, meu filho! Deus reservou-te provação maior e vitória mais brilhante, pois és jovem e forte. Velhice e fraqueza faz com que tenham pena de mim. Em três dias seguir-me-ás.»
Depois da morte do Papa, o imperador exigiu que a Igreja lhe entregasse todos os seus bens, dentro de três dias. Vencido o prazo, Lourenço apresentou os pobres que eram acudidos pela Igreja e disse ao imperador: «Estes são os bens da Igreja.» Valeriano, então, com muita raiva, ordenou que Lourenço fosse queimado vivo, numa grelha. O santo manteve a alegria no momento da execução, mostrando sua profunda fé na vida eterna, no encontro com Jesus Cristo. Por isso, no momento mais angustiante de sua vida – aos olhos do mundo – Lourenço, feliz, dizia aos soldados: «Agora podem virar-me, este lado do meu corpo já está assado!» Uma multidão acompanhava o martírio de São Lourenço. E, no meio do povo, grande foi o número dos que se converteram a Jesus Cristo ao verem o testemunho do jovem São Lourenço.
São Prudentius, contemporâneo de Lourenço, confirmou este facto quando escreveu que o exemplo de São Lourenço levou vários romanos à conversão. Foi sepultado no cemitério de Siriaca, em Agro Verão, na Via Tiburtina, em Roma, onde mais tarde foi erigida uma basílica em sua honra. A basílica foi construída por um outro imperador romano: Constantino.

in https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-lourenco/152/102/