História

PAMPILHOSA
VILA MEDIEVAL DESDE 1117
VILA URBANA DESDE 1985


A Freguesia da Pampilhosa é uma das mais populosas do Concelho de Mealhada, com cerca de 4.098 habitantes (Censos de 2011) e a vila da Pampilhosa é uma das localidades mais promissoras da Região da Bairrada. Tendo a Serra do Buçaco como pano de fundo, a Pampilhosa desenvolve-se em duas áreas distintas que espelham também distintas épocas de evolução desta comunidade.

A primeira referência toponímica data de 28 de junho de 1117, e poderá vir do latim pampilium, que significa flor amarela viva; ou de pâmpano, rebento de videira, ou de pampilho, vara comprida que termina em agulhão.

A "notícia" mais antiga de que há memória regista uma doação feita por Gonçalo Randulfes e seu filho Telo Gonçalves, Senhores da "Villa Rústica" da Pampilhosa ao Abade Eusébio, do Mosteiro de Lorvão, no ano de 1117. A reforçar esta "notícia" podemos observar ainda hoje o edifício conhecido por "Casa Rural Quinhentista" e os celeiros que foram propriedade do referido Mosteiro de Lorvão.

TESTAMENTO DA DOAÇÃO DA PAMPILHOSA AO MOSTEIRO DE LORVÃO, FEITA POR GONÇALO RANDULFES E SEU FILHO TELO GONÇALVES
(Tradução do Latim)

Aos valorosíssimos, triunfadores e santos mártires Mamede e Pelágio, cuja Igreja está situada no lugar denominado Mosteiro de Lorvão, região de Coimbra.
Ora eu, Gonçalo Randulfes servo de Deus e meu filho Telo Gonçalves vosso servo, que oprimidos pelo peso dos pecados, somos arrancados ao desespero pela esperança, confiança e méritos dos Santos; nós que acusados pela consciência trememos muitas vezes de remorso por causa do nosso crime.
Para que nós por vós, Santíssimos Mártires mereçamos o perdão de Deus.
As súplicas e a fé de todos os santos satisfaçam todos os desejos.
Decide-nos o mandamento divino, «dai e ser-vos-á dado».
Tudo te pertence, Senhor, e as outras coisas.
Finalmente por teu amor que escolhi para patrono, concedemos e oferecemos ao teu Santo Altar e a vós abade D. Eusébio e toda a vossa congregação, a nossa villa a que chamam Pampilhosa [Pampiliosa ou Pampillosa] juntamente com a Torre, vinhas, pomares, casas, currais, terras desbravadas e incultas, pedras móveis e imóveis, fontes dos montes, campos de regadio, moinhos por onde puderdes encontrá-los.
A mesma villa confina com a Vacariça e ainda com o Monte Buçaco e com a villa de Larçã, e ainda com o baixio de Vale de Cavalos até à mata da Vimieira e chega até à nascente do Cértoma e até ao termo da Vacariça.
Por isso, tudo o que indicamos, com o seu valor e rendimento, vos concedemos e testamos à mencionada Igreja de S. Mamede para sustento e vestuário dos monges e bem assim para as luzes dos vossos altares e para as esmolas dos pobres e dos cativos. E doamos daquela villa a Martinho Arnaldo (Martinus Arnaldiz) um dia de bois (uma jeira) de terra de lavoura, para que ele possua durante a vida e dela vos dê a décima parte líquida e depois da morte dele volte ao mosteiro, se herdeiro algum, agora ou posteriormente, não houver, porém com a condição que dela tenhamos o usufruto enquanto vivermos e vos paguemos a décima dela e depois da nossa morte passe para as vossas mãos toda aquela villa.
E se deixarmos descendência, tome ela posse daquela herança e vos preste serviço e a décima. E depois da morte deles, a descendência de minha irmã permaneça sempre junto da Igreja de S. Mamede, para remédio da nossa alma e dos nossos pais. Juramos por Deus pai omnipotente que nunca havemos de romper este compromisso. Se todavia, alguém, o que não acreditamos que aconteça, se insurgir, ou nos insurgirmos contra a nossa palavra, antes de mais que seja excomungado e participe da sorte de Judas traidor, e além disso restitua quatro dobros (oito tantos) quanto tiver tentado roubar.
E este nosso testamento adquira toda a força…
Feita a carta de testamento a 3 das kalendas de julho da era de 1155 [28 de junho de 1117].
Eu, Gonçalo e meu filho Telo que mandamos fazer esta carta de testamento e assinamos com nosso punho, e nós que estivemos presentes, eu Elduara Randulfiz, porque meu irmão fez o mesmo, concordo.
Abade Eusébio confirmou. Monge Pelágio confirmou. Monge Gonçalo confirmou. Monge João confirmou. Monge Pedro confirmou. Monge Rodrigo confirmou. Monge Martinho confirmou. Presbítero Mendo testemunha. Diácono Egas testemunha. Diácono Gonçalo testemunha. Anaia Vestráris testemunha, Mendo Gonçalo testemunha. Mendo Lucidi testemunha. Acólito Pedro notou.

in Azevedo, Ruy de - "Mosteiro de Lorvão na Reconquista Cristã". Lisboa: Arquivo Histórico de Portugal, 1933.