A Fonte d'Aqui

As fontes eram outrora uma necessidade vital para as populações e a sua origem seria o aproveitamento das nascentes naturais perto do seu "habitat". Por esse motivo, sendo a Fonte d’Aqui uma das mais antigas do lugar, pouco se conhece da sua história e construção. Fica situada na parte alta da Vila, onde se situam as mais antigas habitações do lugar. Está ao fundo de uma encosta de oliveiras e, em sua direção, seguem dois caminhos, que terminam em lanços de escadas, um de cada lado da fonte. A sua configuração é de uma fonte de mergulho, composta de um tanque onde nasce a água, a qual borbulhava clara e límpida entre as pedras do fundo; mas, sendo de natureza calcária, embora fresca, não é de sabor agradável.

A fonte é coberta por um poial de pedra, onde as mulheres poisavam os cântaros ou os canecos, para se ajudarem ou esperarem a sua vez. Em frente existia um outro poial mais largo, para o mesmo efeito, delimitado por um pequeno murete. É uma fonte muito antiga e não há memória de a sua nascente secar. Durante séculos abasteceu a povoação para os seus usos domésticos. De lá vinha água para cozinhar, lavar as casas e para fazer água-pé no tempo das vindimas, sempre transportada à cabeça das mulheres, em equilíbrio sobre uma rodilha.

Hoje, com o progresso e a boa água canalizada que a Vila possui, deixou de ter a serventia de outrora encontrando-se, por esse motivo, algo degradada. Como fica funda, a descida para a fonte faz-se por dois lanços de escadas de 6 e 9 degraus cada um. As sobras dessa água correm para um tanque ou depósito que lhe fica defronte e já dentro da "Quinta do Melo" que, por esse motivo, era conhecida por Quinta da Fonte – nome por que foi conhecida até ao século XVIII.

O nome de Fonte D’Aqui caracteriza bem a sua proximidade do lugar, pois, na encosta da Brejoeira, para lá do rio Cértoma, existe outra fonte de mergulho, também bastante antiga, chamada Fonte d’Além, por oposição a esta, que ficava perto. Aqui fica, portanto, mais uma achega para recordar o que foi a vida de outrora na Vila de Pampilhosa. As fonte foram sempre um motivo de inspiração dos nossos poetas. Locais eleitos pelos conversados para ponto de encontro e de namoro, ou de simples conversas com quem se encontrasse. Ir à fonte era útil a que se juntava o agradável, principalmente para os jovens de outros tempos.

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A Fonte das Poças

No cabeço onde está situada a parte alta da Pampilhosa, e na encosta voltada a norte, existem várias nascentes que, certamente ao longo dos séculos, iam depositando ao fundo da encosta a água que delas corriam, formando poças. Daí ser este sítio conhecido até hoje pelo nome de "As Poças". A população da Pampilhosa, no sentido de aproveitar essa água, canalizou-a para uma bica; - usando umas condutas um tanto primitivas, que há poucos anos ainda existiam, e que se limitavam a um leito em pedra com uma laje por cima – o que nessa época distante, seria o único processo que existia para tal fim. Assim, as canalizações, convergindo para uma bica, formaram a fonte que tem o nome de "Fonte das Poças".

Esta fonte fica situada junto de uma das estradas principais, que sobem até à parte alta da Vila. A água da fonte corre para um tanque de pedra, e que servia outrora para dar de beber aos bois de trabalho, que então todos os lavradores do lugar possuíam. Ao lado tem um largo poial, onde as mulheres que iam à fonte poisavam os canecos, enquanto esperavam a sua vez, e também servia para ajudar a colocá-los à cabeça. Em 1879 (a data mais antiga que aparece numa pequena lápide) foi certamente remodelada, dando-lhe então o aspeto com que ficou durante todos estes anos. Mas, por se encontrar degradada em 1937, a Junta de Freguesia procede a obras de restauro, deixando memória do facto numa outra lápide incrustada na parede da fonte.

Entretanto, com o tempo e sem ter tido novos restauros, a fonte encontrava-se bastante degradada e com um aspeto de abandono, a requerer uma intervenção que a tornasse mais agradável à vista, como um pequeno monumento rústico a recordar os nossos antepassados. Assim, em 1996, com autorização da Junta de Freguesia de Pampilhosa, Maria das Dores de Sousa Christina tomou a iniciativa de a restaurar. Para esse efeito foi forrada de azulejos, com uma reprodução de um padrão de século XVIII, e colocadas as antigas lápides em lugar de destaque.

A água desta fonte é calcária, não é portanto gostosa para beber, mas é abundante, correndo sem interrupção quer de inverno ou de verão, num manancial inesgotável. Tem uma propriedade interessante: coze muito bem os legumes, deixando-os com uma bela cor verde. Também é tradição na terra que ela tem propriedades medicinais, facto não comprovado, mas que se poderá comprovar com uma análise apropriada. Aquando do seu último restauro, a Junta de Freguesia embelezou o local, mandando plantar um canteiro de flores, que dão uma certa beleza ao sítio, tornando-o mais cativante e agradável.

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A Fonte do Garoto

Situada no largo junto ao Mercado Municipal de Pampilhosa, a Fonte do "Garoto" é um artístico chafariz, encimado por uma escultura em bronze da autoria de António Teixeira Lopes (1866-1942), o notável escultor de Vila Nova de Gaia.

Esta fonte bastante original representa um rapaz do povo a despejar uma ânfora, colocada a meio do tanque do chafariz público. Teixeira Lopes pôs nesta obra toda a sua fina sensibilidade de escultor de crianças – e o garoto humilde, o pequeno operário de outrora, está aqui fielmente representado.

Foi este chafariz inaugurado em 1915, tendo nessa altura uma configuração diferente: a escultura do garoto estava colocada sobre um plinto de calcário branco, com um pequeno tanque em frente, para onde tombava a água.

Atualmente o tanque é maior e circular, assentando sobre os três degraus que o rodeiam e tendo ao centro, sobre o plinto, a estátua do garoto.

A estátua está atualmente no edifício da Junta por ter decorrido uma onda de assaltos para recolha de bronze (o busto do Dr. Abel da Silva Lindo foi um dos alvos, que nunca mais foi recuperado). Em seu lugar encontra-se uma réplica em compósito.

O chafariz encontra-se no largo hoje chamado de Largo do Garoto, nome que ainda vai trazendo alguma controvérsia, pois este mesmo largo deveria (assim ficou escrito na ata de 1915, aquando da sua inauguração) ser chamado de "Largo do Chafariz".

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A Fonte do Mello

Desde tempos imemoriais que as fontes têm o seu papel social. Ia-se à fonte buscar água mas também ia-se para conviver, conversar e contar as novidades, enquanto se esperava o encher do cântaro; e ao domingo os namorados acompanhavam as moças, e aí se quedavam em conversa amena por largo espaço. A Fonte do Melo (Mello) é uma das fontes mais recentes.

Em todos os tempos a água foi sempre uma das maiores necessidades das populações, e sobretudo a água potável, própria para consumo, que, durante séculos, a população da Pampilhosa teve que ir buscar longe, pois a terra, situada em terreno calcário, não tinha dentro do lugar se não fontes de água salobra.

No intuito de suprir essa falta, propuseram-se Albano Ferreira Christina, no tempo presidente da Junta de Freguesia, e o industrial Joaquim da Cruz, grande amigo desta terra, a exercer a sua influência junto do grande proprietário de então, Joaquim José de Mello, obtendo a concessão de trazer graciosamente a água de uma abundante nascente situada na sua propriedade, junto ao pinhal da Gândara. Essa água, nascida em areia, é uma água fina, saborosa, potável e própria para consumo.

A fonte, inaugurada em 1925, veio beneficiar grandemente a população da Pampilhosa, já de si tão carenciada deste líquido precioso, pois, por vezes, em época de Estio, chegava a faltar…

No seu aspeto é uma fonte simples, sem primores de estilo. Compõe-se unicamente de um arco cavado de volta inteira formando nicho, feito em cimento imitando cortiça, encimado por um pequeno brasão com as iniciais C.M. (Câmara Municipal) e uma lápide com o nome de «Fonte do Mello», que ficou a perpetuar o nome do doador. É da autoria de Joaquim Vitorino, um artista desconhecido da Pampilhosa.

Para trazer essa água desde a Mina até ao lugar da fonte em boas condições de salubridade, foi construída uma conduta de manilhas de grés (mais tarde em fibrocimento) que veio substituir as antigas caleiras descobertas que outrora a traziam da nascente, para regar a Quinta do Melo.

Esta conduta, atravessando a chamada "Terra do Linho", da mesma família, vinha passar o Rio Cértoma à Ponte de Pedra, e seguia por um aqueduto, de arcadas desiguais, até junto do lugar. Este aqueduto, que tem a data de 1923, avista-se de longe e corre ao longo da Quinta Melo, dando à paisagem marginal do Vale do Cértoma uma nota diferente.

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Fonte do Rio de Cima

Edificada provavelmente no início do século XX, a sua cobertura foi construída em 1952, pelo que imaginamos que foi a partir daí que a fonte passou também a lavadouro. É constituída por 18 tanques mais um para depósito de lixo. Na parede a norte encontra-se a torneira principal onde se enchiam os alguidares e cântaros e, mais tarde, os garrafões para consumo em casa. Recordamos com alguma saudade a roupa branca estendida ao sol, colocada pelas lavadeiras, ainda em grande número nos anos de 1980, nas imediações da fonte.

A fonte do Rio de Cima foi restaurada em Agosto de 1984 e desde aí, foi deixando lentamente de ser frequentada pelas lavadeiras que, vindas sobretudo da alta pampilhosense, calcorreavam os trilhos que serpenteavam os campos de cultivo junto ao aqueduto da Fonte do Melo.

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