Sede da Junta de Freguesia

Até 1956, ano da inauguração da primeira Sede da Junta de Freguesia (chamada de Junta de Paróquia durante o século XIX), as deliberações eram tomadas no adro ou mesmo dentro da própria Igreja, sobretudo no inverno.
Em 1956 é então inaugurado o primeiro edifício sede da Junta de Freguesia, ainda existente, e que alberga, embora provisoriamente, o "Espaço Cidadão", sito na Rua de Santa Marinha, 2.
Em 2010, em terrenos doados à Freguesia pelo distinto psiquiatra pampilhosense Dr. Manuel de Carvalho Santos e por sua digníssima irmã, é erigido o atual edifício sede, sito na Rua da Estação. A sua inauguração decorreu no dia 7 de maio de 2011. O executivo era constituído por: Presidente: Vítor Matos; Secretário: Liberto Maia; Tesoureiro: Emanuel Silva. Era Presidente da Câmara Municipal de Mealhada o Sr. Prof. Carlos Cabral.

Estação Ferroviária de Pampilhosa

A Estação Ferroviária de Pampilhosa é uma gare da Linha do Norte, que funciona como entroncamento com a Linha da Beira Alta, e que serve a Freguesia de Pampilhosa, no Distrito de Aveiro, em Portugal. Também foi o ponto de origem do Ramal da Figueira da Foz, encerrado em 2009.

A estação ferroviária de Pampilhosa está situada no lanço entre Taveiro e Estarreja, da Linha do Norte, que abriu à exploração no dia 10 de abril de 1864, pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses.

Em 1 de julho de 1883 foi inaugurada a Linha da Beira Alta, entre Pampilhosa e Vilar Formoso, enquanto que a linha até à Figueira da Foz foi aberta no dia 3 de agosto do mesmo ano, tendo ambos os lanços sido construídos pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta.

Em janeiro de 1897 estava pendente de aprovação pelo Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria um projeto para a nova estação da Pampilhosa, que consistia num edifício de passageiros, retretes, cais de mercadorias, um reservatório de água para o abastecimento das locomotivas, e todas as dependências necessárias a uma estação de segunda classe.

Em 1901, a Companhia da Beira Alta prolongou os cais coberto e descoberto nesta estação. Em finais de 1924 a Companhia da Beira Alta estava a renovar a via entre Pampilhosa e Guarda. Em 1932 a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta realizou obras nesta estação, tendo reconstruído três casas do bairro operário e instalado os muros do suporte de carvão. Em 1933 reparou e pintou as marquises, efetuou mais obras no bairro operário, construiu as fossas para as balanças de Grande Velocidade, e pintou os sinais. Em dezembro do mesmo ano, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses estava a ponderar a ampliação desta estação.

Em 1934, o chefe de estação desta interface foi distinguido num concurso de ajardinamento das estações na Linha da Beira Alta. Nesse ano, a empresa realizou grandes obras de modificação e reparação no edifício da estação e construiu as plataformas da estação e da entre-via, no lado da Linha da Beira Alta. Em agosto de 1935 o chefe da estação voltou a ser homenageado no concurso de ajardinamento da Linha da Beira Alta. Nesse ano a Companhia da Beira Alta fez várias obras, como a reparação da cocheira das locomotivas. Em 1939 voltou a fazer várias obras de reparação, especialmente no restaurante e na placa das locomotivas.

Em março de 1964, foi eletrificado o troço entre Coimbra e Pampilhosa da Linha do Norte.

Em 1968, esta estação era um importante ponto de concentração de tráfego ferroviário.

Segundo o Diretório da Rede 2012, publicado pela Rede Ferroviária Nacional em 6 de janeiro de 2011, a estação de Pampilhosa apresentava sete vias de circulação, com 180 a 780 m de comprimento, enquanto que as plataformas tinham entre 220 e 315 m de extensão, e 30 a 40 cm de altura.

in https://pt.wikipedia.org/wiki/Esta%C3%A7%C3%A3o_Ferrovi%C3%A1ria_de_Pampilhosa

Coreto

O coreto da Pampilhosa foi mandado construir pela Junta de Freguesia em 1926, conforme se pode ler na ata do dia 13 de junho: “Sobre o coreto da Filarmónica, a Junta, reconhecendo a sua necessidade e ainda o facto de ele concorrer para o embelezamento do local onde for edificado, tem a iniciativa de construi-lo no Largo do Freixo, nomeando uma comissão para angariar os donativos necessários, a fim de levar a efeito este grande melhoramento. A Junta concorre com o terreno que oferece, ficando o coreto propriedade da Junta, que se obriga a cuidar das suas reparações futuras. A comissão ficou constituída pelos Senhores: José Simões d’Almeida Júnior, Manuel Pires Lobo e António Cristina de Melo. (...)”. Na mesma ata é indicada a respetiva “terraplanagem” no Largo do Freixo, feita também com donativos. O executivo era composto pelo presidente Joaquim José de Melo, o tesoureiro José Augusto da Silva, os vogais José Augusto Agante e Germano Godinho e era secretário o Prof. Guilherme Ferreira da Silva, que terá também dado um “empurrão” para o enaltecimento da “sua” Filarmónica. Só em 1934 surge a primeira referência ao coreto em documentação da Filarmónica Pampilhosense: em ata da Direção de 1 de fevereiro é referido que “os festeiros [de São Sebastião] pretendem que o jazz toque na segunda-feira à noite, no coreto (...)”. Não há atas em 1926 e seguintes onde possamos perceber quando foi o primeiro concerto da Filarmónica no coreto, mas não terá tardado, após a conclusão da obra.

O coreto está então situado no referido Largo do Freixo, centro histórico da Vila, na localização GPS 40°20'02"N 8°25'15"W. É uma construção octogonal, com 2,27 metros por cada lado, fazendo com que o seu diâmetro de um vértice ao vértice oposto seja de 5,93 metros e a área de 24,88 metros quadrados. A altura máxima desde a base à plataforma é de 1,90 metros, que constitui o corpo do coreto, atualmente de cor amarela. Não existe qualquer acesso ao seu interior, dando a entender que este tenha sido compactado com diverso material (terra, areia, pedras). A altura máxima do imóvel é calculada em cerca de 5,60 metros.

A sua cobertura em forma de cúpula, de cor branca, com base também octogonal e com as mesmas dimensões de lado, é apoiada em oito colunas de cor branca, com 2,30 metros de altura, de base cúbica, fuste cilíndrico e capitel ornamentado, encimado pelo ábaco, que apoia a cobertura, por sua vez sobrepujada no seu centro por elemento ornamental em forma pontiaguda. Estas colunas vieram substituir umas colunas anteriores, por volta de 1975-1980.

Rodeando pelo lado exterior das colunas foi instalado um gradeamento em ferro, de cor verde. Um dos lados tinha uma pequena portinhola que dava acesso à plataforma. Na altura não foi construída escada nem rampa, entretanto, em 2018, a Junta de Freguesia mandou instalar, no lado oposto à estrada principal, uma escada metálica fixa. Foi entretanto instalado ao centro um candeeiro esférico, ligado por meio de um cabo elétrico oriundo de um dos postes de iluminação.

Não se sabe ao certo a data do último concerto que a Filarmónica efetuou no coreto. Em 1975 é-nos indicado um concerto no 55.º aniversário, quando a banda era constituída por cerca de 26 músicos. Em maio de 1979 integravam a banda 39 elementos, pelo que é possível que nesta altura já os músicos acusariam falta de espaço, muito embora pudessem ter acontecido concertos já nos anos de 1980, a bem da “velha tradição”, mesmo sem condições...

Pelo menos desde 1991 que a Filarmónica não utiliza o coreto, procurando realizar concertos ao ar livre, escolhendo para o efeito vários locais da freguesia, incluindo a zona junto ao próprio coreto. Atuou também no largo do Garoto, no adro da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no largo de Santo António ou no largo do Freixo (Canedo). Em maio, altura do seu aniversário, atuava no Largo das Covas da Baganha, porém o palco aí instalado acaba por não ter as mínimas condições para um concerto de qualidade, pelo que, desde 2003, o concerto de aniversário é no interior da Sede. O espaço foi reabilitado em 2017, no entanto é necessária a respetiva cobertura para que se reúnam as mínimas condições acústicas e de conforto dos participantes. A FP deu, no entanto, o seu primeiro concerto, após a reabilitação, durante as comemorações dos 900 anos da entrega das terras de Pampilhosa ao Mosteiro de Lorvão, tidas em junho e julho daquele ano.

Texto de Daniel Vieira, publicado na revista "Pampilhosa. Uma Terra e Um Povo" n.º 33 (GEDEPA - 2014), com atualização de 2018

O "Chalet Suíço"

Nas proximidades da linha-férrea foram criados estabelecimentos de comércio diversificado, do ramo alimentar e hospedagem. No caso deste último, refere-se a construção do Chatet Suíço (Suísso), em 1882/3 (estava em pleno funcionamento em janeiro de 1884), uma estalagem para os viajantes que, ao mudarem de comboio na Pampilhosa, ali tivessem que passar a noite (tratava-se de uma propriedade da empresa de construção civil “Bergamim, Lda.”).
Paul Bergamim, um suíço do cantão italiano, obteve concessão dos bares ao longo da Linha da Beira Alta e construiu no chamado Entroncamento da Pampilhosa a casa mãe, onde se instalou e criou condições para repouso e dormida de passantes ilustres. É voz corrente que o rei D. Carlos ali se deteve a retemperar forças gastas nas longas horas de comboio, que não primava (logicamente), pela velocidade… pois andava, apenas, a 40 km por hora. (1)
O Chalet Suíço foi acompanhado por um conjunto de infraestruturas à sua volta, de apoio ao negócio: casa de telégrafo e postal, padaria, armazéns, casa de abegoaria, garagem e cocheira. Este edifício serve de hospedaria e residência familiar, apresentando uma arquitetura interessante, que conjuga duas componentes que se conciliam e a individualizam - a característica alpina dos seus telhados e lambrequins de madeira, e a utilização do barro vermelho, nas fachadas, guardas e guarnições das portas e janelas, produtos da sucursal das Devesas (Fábrica Velha), estabelecida nas imediações da estação, igualmente em 1886 (as telhas do Chalet Suíço ainda são as originais, nelas se pode ler a inscrição SUCURSAL DAS DEVEZAS/ANTONIO ALMEIDA DA COSTA & C/PAMPILHOZA). O edifício evolui em 4 pisos, sendo o rés-do-chão (cave) dividido por serviços de armazém, adega, arrumos, etc. O segundo piso era destinado a hospedaria, cozinha, sala de jantar e quartos, entre os quais o célebre quarto n.º 11, que a família Real ocupava com regularidade nas suas viagens pela Beira. Este quarto, pela exclusividade das suas instalações, área, espaços anexos, vestíbulos e fogo de sala em mármore, teve certamente na sua conceção uma “real” utilização, que teve lugar pela primeira vez na noite de 18 para 19 de maio de 1886, quando Sua Alteza o Príncipe Real D. Carlos vem esperar à Pampilhosa a Princesa Maria Amélia d’Orléans. No terceiro piso deparamo-nos com um grande salão, com referências helvéticas marcantes, heráldica, pinturas murais de paisagens alpinas com moldura e portadas-janela do tipo vitral. No quarto piso, as águas furtadas, temos espaços de apoio a serviços domésticos (rouparia) e instalações para o pessoal. Este edifício, mesmo com as alterações introduzidas ao longo do tempo, com o levantamento da rua que lhe retirou o jardim e a escadaria frontal, mantém a dignidade e a relevância histórica. A sua capacidade máxima andaria à volta de 20 quartos. Passados alguns anos, seria manifestamente insuficiente face à procura, pois viriam a surgir, no lugar do Entroncamento, três ou quatro hospedarias, que, sendo mais modestas, complementavam-se com negócios de restauração e mercearia. (2)
Atualmente o edifício é propriedade do Município e aguarda obras de recuperação.

(1) in http://freguesiadepampilhosa.blogspot.com/p/patrimonio.html
(2) in documento da autoria de Mário Rui Cunha publicado na revista “Pampilhosa. Uma Terra e Um Povo” n.º 35 - GEDEPA 2016

Casa Rural Quinhentista

A Casa Rural Quinhentista, também referida como "Casa dos Melos" ou "Casa Melo", localiza-se na zona histórica da freguesia da Pampilhosa (Pampilhosa-Alta).
Caracteriza-se por uma escadaria exterior com uma varanda sobre pilares de pedra e um celeiro de construção posterior.
Trata-se de um exemplar de arquitetura civil erguido no século XVI, como celeiro das freiras do Mosteiro de Lorvão.
Com a extinção das ordens religiosas masculinas (1834), o celeiro passou a ser conhecido como "Casa dos Melos" ou "Casa Melo", derivado do apelido do caseiro e sua família.
Encontra-se referenciada no Inventário Artístico de Portugal da Academia de Belas Artes.
Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Concelhio desde 1980 pelo Instituto Português do Património Cultural, e como Imóvel de Interesse Público desde 1983.
Objeto de recuperação estrutural, é atualmente administrada pelo Grupo Etnográfico de Defesa do Património e Ambiente de Pampilhosa (GEDEPA), compreendendo os núcleos museológicos do Museu Etnográfico e outros espaços com vocação para exposições temporárias.
O Museu do Porco está instalado num edifício adquirido pela Associação, junto à Casa Rural, onde também funcionam os serviços administrativos.

Cronologia da Casa Rural Quinhentista

Séc. XVI - Sabe-se que vivia na Casa Rural Quinhentista (CRQ), no final do séc. XVI, a família de Pero de Andrade e sua esposa Catarina Antónia, falecida em 1649, então já viúva. Foram ambos sepultados numa Capela erigida onde é atualmente o altar do Senhor da Agonia, com pedra tumular datada de 1650.

1620 - Nasce, a 2 de junho, o Padre Francisco de Andrade, um dos oito filhos do casal, tendo frequentado o Seminário de Coimbra e sido ordenado Padre a 6 de janeiro de 1647. Os irmãos chamavam-se: Manuel, Margarida, Madalena, Anna, António, Catarina e Maria.

1676 - Falecimento, a 15 de dezembro, do Padre Francisco de Andrade, padre-cura da Igreja Paroquial da Pampilhosa entre 1651 e 1662, e que viveu na CRQ. Conforme o seu testamento, é erigida a referida Capela pela sua irmã Anna de Andrade e seu marido Manuel Alves, onde são então sepultados os seus pais e ele próprio.

1712 - Nasce o advogado Manuel Lopes de Andrade, descendente de Catarina de Andrade, morador na Lameira de Santa Eufémia (f. Vacariça) e o herdeiro das propriedades de Pero de Andrade (seu avô materno), incluindo a CRQ.

1741 - Manuel Lopes de Andrade aluga uma das propriedades, a Quinta da Fonte, a Manuel António Quinteiro, que passa a viver com a sua família na CRQ.

1785 - Josefa Maria de Santo António, filha de Manuel António Quinteiro, casa com Bernardo José Loureiro, barbeiro-sangrador da Póvoa do Loureiro (f. Botão), passando este também a viver na CRQ.

1815 - Quitéria Maria de Jesus, filha de Bernardo José e Josefa Maria, casa com Agostinho José de Mello, natural de Paço (f. Botão) e que se torna num grande proprietário, quer adquirindo bens, quer por heranças recebidas. A CRQ passa então a ser conhecida por “Casa Melo”.
Manuel Lopes Andrade, sem descendência, chama a sobrinha Maria, casada com José Joaquim Loureiro (irmão de Bernardo José Loureiro), para junto dele, na sua casa da Lameira, ficando o casal a zelá-lo até à sua morte. No seu testamento deixa os seus bens à sua sobrinha, incluindo a CRQ. Este casal perde o seu único filho, ficando então a criar dois sobrinhos e afilhados de Maria.

1820 - Falecimento de Maria, herdando o marido todos os seus bens. José Joaquim Loureiro, a viver na Casa da Lameira, é considerado um homem rico mas sem descendência. Talvez com vista à herança, os sobrinhos de Maria maltratam-no, tendo este fugido numa noite para a Pampilhosa, para junto de seu irmão, que vivia na CRQ, então como arrendatário da mesma.

1827 - Após o falecimento de José Joaquim Loureiro, Agostinho José de Mello toma posse de todas as propriedades, incluindo a CRQ, devido à sua nomeação como testamenteiro de José Joaquim, por este ter sido bem tratado e acarinhado.

1849 - A família Mello adquire à Abadessa do Mosteiro de Lorvão o celeiro anexo à CRQ, bem como o lagar de azeite, pela quantia de 425 mil réis. Dizia-se que a CRQ era a maior produtora de azeite entre o Douro e o Mondego.

1850 - Em meados do séc. XIX a família Mello inicia a construção da “Casa Alta”, frente à CRQ, uma construção arrojada para a época, com três andares e os dois mirantes que a caracterizam. Sendo uma família de grande influência política e social, passam a receber aqui os vários convidados ilustres (o poeta Guerra Junqueiro, o escritor e médico Fialho de Almeida, Paul Bergamin, Teixeira Lopes, Joaquim da Cruz, etc).

1948 - Morte da última descendente direta da família Mello, D. Maria de Jesus de Mello, nascida a 29 de março de 1866.

1979 - É fundado o GEDEP - Grupo Etnográfico de Defesa do Património da Pampilhosa.

1980 - Em sessão de 21 de outubro, a CRQ foi declarada “imóvel de interesse concelhio” pela Câmara Municipal de Mealhada.

1984 - O GEDEP (depois GEDEPA, abrangendo agora também a defesa do Ambiente) assumiu a aquisição da CRQ.


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