A Casa Rural Quinhentista, também referida como "Casa dos Melos" ou "Casa Melo", localiza-se na zona histórica da freguesia da Pampilhosa (Pampilhosa-Alta).
Caracteriza-se por uma escadaria exterior com uma varanda sobre pilares de pedra e um celeiro de construção posterior.
Trata-se de um exemplar de arquitetura civil erguido no século XVI, como celeiro das freiras do Mosteiro de Lorvão.
Com a extinção das ordens religiosas masculinas (1834), o celeiro passou a ser conhecido como "Casa dos Melos" ou "Casa Melo", derivado do apelido do caseiro e sua família.
Encontra-se referenciada no Inventário Artístico de Portugal da Academia de Belas Artes.
Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Concelhio desde 1980 pelo Instituto Português do Património Cultural, e como Imóvel de Interesse Público desde 1983.
Objeto de recuperação estrutural, é atualmente administrada pelo Grupo Etnográfico de Defesa do Património e Ambiente de Pampilhosa (GEDEPA), compreendendo os núcleos museológicos do Museu Etnográfico e outros espaços com vocação para exposições temporárias.
O Museu do Porco está instalado num edifício adquirido pela Associação, junto à Casa Rural, onde também funcionam os serviços administrativos.
Cronologia da Casa Rural Quinhentista
Séc. XVI - Sabe-se que vivia na Casa Rural Quinhentista (CRQ), no final do séc. XVI, a família de Pero de Andrade e sua esposa Catarina Antónia, falecida em 1649, então já viúva. Foram ambos sepultados numa Capela erigida onde é atualmente o altar do Senhor da Agonia, com pedra tumular datada de 1650.
1620 - Nasce, a 2 de junho, o Padre Francisco de Andrade, um dos oito filhos do casal, tendo frequentado o Seminário de Coimbra e sido ordenado Padre a 6 de janeiro de 1647. Os irmãos chamavam-se: Manuel, Margarida, Madalena, Anna, António, Catarina e Maria.
1676 - Falecimento, a 15 de dezembro, do Padre Francisco de Andrade, padre-cura da Igreja Paroquial da Pampilhosa entre 1651 e 1662, e que viveu na CRQ. Conforme o seu testamento, é erigida a referida Capela pela sua irmã Anna de Andrade e seu marido Manuel Alves, onde são então sepultados os seus pais e ele próprio.
1712 - Nasce o advogado Manuel Lopes de Andrade, descendente de Catarina de Andrade, morador na Lameira de Santa Eufémia (f. Vacariça) e o herdeiro das propriedades de Pero de Andrade (seu avô materno), incluindo a CRQ.
1741 - Manuel Lopes de Andrade aluga uma das propriedades, a Quinta da Fonte, a Manuel António Quinteiro, que passa a viver com a sua família na CRQ.
1785 - Josefa Maria de Santo António, filha de Manuel António Quinteiro, casa com Bernardo José Loureiro, barbeiro-sangrador da Póvoa do Loureiro (f. Botão), passando este também a viver na CRQ.
1815 - Quitéria Maria de Jesus, filha de Bernardo José e Josefa Maria, casa com Agostinho José de Mello, natural de Paço (f. Botão) e que se torna num grande proprietário, quer adquirindo bens, quer por heranças recebidas. A CRQ passa então a ser conhecida por “Casa Melo”.
Manuel Lopes Andrade, sem descendência, chama a sobrinha Maria, casada com José Joaquim Loureiro (irmão de Bernardo José Loureiro), para junto dele, na sua casa da Lameira, ficando o casal a zelá-lo até à sua morte. No seu testamento deixa os seus bens à sua sobrinha, incluindo a CRQ. Este casal perde o seu único filho, ficando então a criar dois sobrinhos e afilhados de Maria.
1820 - Falecimento de Maria, herdando o marido todos os seus bens. José Joaquim Loureiro, a viver na Casa da Lameira, é considerado um homem rico mas sem descendência. Talvez com vista à herança, os sobrinhos de Maria maltratam-no, tendo este fugido numa noite para a Pampilhosa, para junto de seu irmão, que vivia na CRQ, então como arrendatário da mesma.
1827 - Após o falecimento de José Joaquim Loureiro, Agostinho José de Mello toma posse de todas as propriedades, incluindo a CRQ, devido à sua nomeação como testamenteiro de José Joaquim, por este ter sido bem tratado e acarinhado.
1849 - A família Mello adquire à Abadessa do Mosteiro de Lorvão o celeiro anexo à CRQ, bem como o lagar de azeite, pela quantia de 425 mil réis. Dizia-se que a CRQ era a maior produtora de azeite entre o Douro e o Mondego.
1850 - Em meados do séc. XIX a família Mello inicia a construção da “Casa Alta”, frente à CRQ, uma construção arrojada para a época, com três andares e os dois mirantes que a caracterizam. Sendo uma família de grande influência política e social, passam a receber aqui os vários convidados ilustres (o poeta Guerra Junqueiro, o escritor e médico Fialho de Almeida, Paul Bergamin, Teixeira Lopes, Joaquim da Cruz, etc).
1948 - Morte da última descendente direta da família Mello, D. Maria de Jesus de Mello, nascida a 29 de março de 1866.
1979 - É fundado o GEDEP - Grupo Etnográfico de Defesa do Património da Pampilhosa.
1980 - Em sessão de 21 de outubro, a CRQ foi declarada “imóvel de interesse concelhio” pela Câmara Municipal de Mealhada.
1984 - O GEDEP (depois GEDEPA, abrangendo agora também a defesa do Ambiente) assumiu a aquisição da CRQ.
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