Desde tempos imemoriais que as fontes têm o seu papel social. Ia-se à fonte buscar água mas também ia-se para conviver, conversar e contar as novidades, enquanto se esperava o encher do cântaro; e ao domingo os namorados acompanhavam as moças, e aí se quedavam em conversa amena por largo espaço. A Fonte do Melo (Mello) é uma das fontes mais recentes.
Em todos os tempos a água foi sempre uma das maiores necessidades das populações, e sobretudo a água potável, própria para consumo, que, durante séculos, a população da Pampilhosa teve que ir buscar longe, pois a terra, situada em terreno calcário, não tinha dentro do lugar se não fontes de água salobra.
No intuito de suprir essa falta, propuseram-se Albano Ferreira Christina, no tempo presidente da Junta de Freguesia, e o industrial Joaquim da Cruz, grande amigo desta terra, a exercer a sua influência junto do grande proprietário de então, Joaquim José de Mello, obtendo a concessão de trazer graciosamente a água de uma abundante nascente situada na sua propriedade, junto ao pinhal da Gândara. Essa água, nascida em areia, é uma água fina, saborosa, potável e própria para consumo.
A fonte, inaugurada em 1925, veio beneficiar grandemente a população da Pampilhosa, já de si tão carenciada deste líquido precioso, pois, por vezes, em época de Estio, chegava a faltar…
No seu aspeto é uma fonte simples, sem primores de estilo. Compõe-se unicamente de um arco cavado de volta inteira formando nicho, feito em cimento imitando cortiça, encimado por um pequeno brasão com as iniciais C.M. (Câmara Municipal) e uma lápide com o nome de «Fonte do Mello», que ficou a perpetuar o nome do doador. É da autoria de Joaquim Vitorino, um artista desconhecido da Pampilhosa.
Para trazer essa água desde a Mina até ao lugar da fonte em boas condições de salubridade, foi construída uma conduta de manilhas de grés (mais tarde em fibrocimento) que veio substituir as antigas caleiras descobertas que outrora a traziam da nascente, para regar a Quinta do Melo.
Esta conduta, atravessando a chamada "Terra do Linho", da mesma família, vinha passar o Rio Cértoma à Ponte de Pedra, e seguia por um aqueduto, de arcadas desiguais, até junto do lugar. Este aqueduto, que tem a data de 1923, avista-se de longe e corre ao longo da Quinta Melo, dando à paisagem marginal do Vale do Cértoma uma nota diferente.
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