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Início Pampilhosa História As transformações do século XIX com a industrialização

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As transformações do século XIX com a industrialização


As mutações económicas do século XIX tiveram grande impacto nesta terra. O progresso das vias de comunicação e a industrialização foram factores decisivos para o desenvolvimento do lugar. A Pampilhosa, beneficiou sobretudo pelo traçado da linha-férrea Lisboa – Porto passar nas suas terras. No entanto, durante alguns anos a população não usufruiu deste meio de transporte pois não existia aqui um apeadeiro sequer.

A verdadeira influencia deste progresso do século XIX, vem a sentir-se em 1879 com a construção da linha da Beira-Alta e em 1880, o começo da linha Pampilhosa - Figueira da Foz. Deste modo se lançaram as bases do que viria a ser o grande entroncamento ferroviário de Pampilhosa. Com a entrada em funcionamento das vias referidas, a Pampilhosa passou a ser ponto de escala dos comboios da linha do norte e ponto obrigatório de paragem e estadia de todos quantos, do norte ou do sul, demandavam as terras da Beira (ou vice versa). Com o início das ligações ferroviárias a Espanha, no final do século em (1895), a Pampilhosa passa igualmente a ser ponto de passagem e paragem obrigatória para quantos nacionais e estrangeiros preferem utilizar o novo meio de transporte.

A partir daqui a Pampilhosa, começou a atrair as indústrias pois tinha uma boa perspectiva de escoamento dos produtos. Isso mesmo se reconhecia na época, em 27 de Março de 1886 podia ler-se no jornal "O Conimbricence" – a estação de Pampilhosa e o grande movimento que aí existe estão para ali a chamando a atenção de vários industriais.
Por isso tudo, sensivelmente na mesma época, inicia-se o estabelecimento de grandes industrias na Pampilhosa, em 1865, o portuense António Almeida da Costa, instala aqui a primeira unidade fabril de barro vermelho depois chamada Companhia Cerâmica das Devezas, L.da. Em 1886 a sua mecanização com a instalação de uma máquina a vapor.

A industrialização prossegue pelas primeiras décadas do século XX. O sector cerâmico em expansão está na vanguarda com a instalação da "Mourão Teixeira Lopes e Cª L.da (1901)", "Cerâmica Excelsior da Pampilhosa (1903)" e logo depois com "Bonifácio Magalhães e Cª (1920) " e "Nova Cerâmica da Pampilhosa (1921)"

Ao lado destas indústrias é de salientar também a produção de cerâmica artesanal. No princípio do século havia aqui três oficinas de olaria, cujos produtos eram encaminhados para as feiras e mercados da região.

Outra das riquezas da terra era a madeira, que atraía igualmente os empresários: em 1907 foi fundada a "Tomás da Cruz & Filhos" serração mecânica de madeira que também se encontra na vanguarda deste sector na região de Coimbra.

Também neste ramo de indústria outras se seguirão no local como por exemplo: "União Industrial e Comercial, L.da (1921)", "Ferreira Santiago & Cª L.da (1922)" e pouco depois a "Vitorino Bastos, Irmãos L.da".
Igualmente a exploração de pedreiras e o fabrico de cal eram actividades importantes: em 1911 havia 3 fornos de cal em laboração, vindo o seu número a aumentar até 12.

Enfim o progresso material de toda esta actividade fazia irradiar, a atracção do caminho-de-ferro como a grande via de transporte de gentes e mercadorias que terão feito surgir outras indústrias. Assim, a "Bergamim, L.da", registada como empresa de construção civil mas que se deveria dedicar "mais a transacção de imóveis que à construção civil" a "J. Pedrosa e Costa, L.da", de metalurgia e metalomecânica.

É de salientar também por exemplo a firma "Destilarias e Industrias Florestais, L.da", mais vulgarmente conhecida como Fabrica dos Químicos, de que hoje restam apenas ruínas.

Com a atracção dos comboios e das indústrias e armazéns implantados à sua beira e com o crescimento demográfico, verifica-se o alargamento do núcleo populacional primitivo, dá-se a descida das gentes da Pampilhosa Alta à parte baixa a zona que simbolizava o futuro. Outros pontos vão ser também escolhidos para local de habitação: a Lagarteira ou o Alto de Santo António.

Texto tirado de: «Pampilhosa oito séculos de historia» de Maria Alegria Fernandes Marques


Actualizado em 23/05/2009 18:53  

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